Entrevista: Miyamoto Tsuruzo Sensei
Entrevista com T. Miyamoto, 7º Dan Shihan – Instrutor de Hombu Dojo.Novembro 2006
Entrevistador: Associação Cultural Feilen Aikido com a colaboração da Sta. Maho Somekawa .

1. Porque começou a praticar Aikido? (Que te levou a pratica do Aikido?)
Miyamoto Tsuruzo: Venho da cidade de Fukuoka, província de Kyushu, ao sul do Japão. Em Fukuoka é muito comum praticar Kendo, Judô, Karate, etc…
No colegial eu pratiquei um pouco de Judô e uma vez na universidade procurei exaustivamente um Dojo para praticar Aikido.
Eu não sabia exatamente como era o
Aikido, mas estava interessado e procurei um lugar para assistir a uma
aula. Fiquei cativado pela personalidade de Suganuma Sensei e fiquei
praticando até entrar como Uchi Deshi no Hombu Dojo
2. Poderia nos contar algo sobre sua experiência como Uchi Deshi no Hombu Dojo?
Miyamoto Tsuruzo: Entrei com 22 anos, me levantava às 5:00 da manhã, limpávamos e às 6:30 praticávamos com Doshu Kishomaru Ueshiba. Durante estes 4 anos no Hombu só treinava, comia e dormia, mas era muito divertido, foi uma época dura mas desfrutei muitíssimo.
À noite sempre íamos tomar algo, o qual dificultava levantarmos tão cedo, mas tínhamos que fazer. “Risos”
O primeiro ano estive com Shibata
Sensei ( um dos meus Sempais), o segundo ano estive sozinho e no
terceiro e quarto foram dois Uchi Deschis. Eu trabalhei muito duro esses
anos.
3. Que professores (mestres) influenciaram seu Aikido?
Miyamoto Tsuruzo: O Doshu Kishomaru Ueshiba, os Senseis, e os Sempais…todos.
4. Que poderia contar sobre Kishomaru Ueshiba Sensei?
Miyamoto Tsuruzo: Kishomaru Ueshiba Sensei era muito rigoroso, era um homem de poucas palavras, e me repreendia muito. “risos”
Quando seu estado de saúde era bom, me levava (algumas vezes) para uma bebida depois do treino.
5. Qual é o papel atual de Hombu Dojo no desenvolvimento no Aikido a nível mundial?
Miyamoto Tsuruzo: É o alicerce de tudo, o ponto de origem.
Hombu Dojo deve ser a referência
técnica do Aikido, e digo, deve porque obviamente, que é, mas não
suficientemente, não tem a força que deveria ter.
As novas gerações não conhecem
O’Sensei, e isto é uma grande perda de informação tanto no nível
técnico como no espiritual. Deveria ser o ponto de origem a partir do
qual o mestre transmite o Aikido.
6. Através de seus múltiplos
seminários ao redor do mundo, tem notado alguma diferença em termos de
atitudes ou nível técnico entre ocidentais e japoneses?
Miyamoto Tsuruzo: “Ser japonês ou não” não influencia em termos de nível.
Miyamoto Tsuruzo: “Ser japonês ou não” não influencia em termos de nível.
Os Aikidokas estrangeiros estão estudando
uma arte marcial que vem de uma cultura diferente da sua, também teem
mais dificuldade de acesso aos mestres e aos Dojos. Devido a estas
dificuldades o ocidental trabalha mais, põe mais empenho e tira muito
mais proveito dos cursos, das oportunidades de aprender e se aplica
mais.
Para os japoneses, é natural, faz parte da sua cultura, do seu dia a dia, e o leva de um jeito mais relaxado.
7. Ao que da mais ênfase ao ensinar as pessoas estrangeiras?
Miyamoto Tsuruzo: O conteúdo é o mesmo de quando eu ensino no Japão.
Miyamoto Tsuruzo: O conteúdo é o mesmo de quando eu ensino no Japão.
Devido à barreira da língua ensinado
através de gestos, tento ser o mais limpo, claro, conciso. Tento mostrar
as técnicas tão claramente quanto possível, sem frescura.
Mesmo quando falo eu não dou muitas explicações, a minha maneira de ensinar é muito visual
8. O que é mais importante na prática do Aikido?
Miyamoto Tsuruzo: No treinamento, a diferença de outras artes marciais é que não é para um combate, mas sim para criar / desenvolver a técnica entre duas pessoas, com animosidade mútua, para procurar no outro o ponto fraco para que este se esforce e melhore, é definitivamente um trabalho em comum.
Miyamoto Tsuruzo: No treinamento, a diferença de outras artes marciais é que não é para um combate, mas sim para criar / desenvolver a técnica entre duas pessoas, com animosidade mútua, para procurar no outro o ponto fraco para que este se esforce e melhore, é definitivamente um trabalho em comum.
9. O que espera de seus alunos?
Miyamoto Tsuruzo: Eu tenho uma forma / maneira de fazer Aikido que às vezes os alunos não entendem. Os alunos não percebem o que eu quero ensinar.
Miyamoto Tsuruzo: Eu tenho uma forma / maneira de fazer Aikido que às vezes os alunos não entendem. Os alunos não percebem o que eu quero ensinar.
Por exemplo: Ikkyo você pode olhar para o trabalho das mãos, pés, corpo. …
A cada semana, tento fazer com que as
pessoas se concentrem em uma coisa para que ao fim (duas, três semanas …
um mês) chegar a construir a técnica.
Talvez o Ikkyo agora seja diferente do Ikkyo de anos atrás.
Você tem que começar a pensar nas
técnicas e de uma forma natural ir avançando, por isto o Aikido é tão
interessante, porque nunca para de evoluir.
Às vezes, os alunos têm uma fixação
como “esta técnica se faz assim e ponto”. Espero que meus alunos tenham
uma mente aberta com a capacidade de mudar com ela. Tendo uma mente
aberta pode descobrir sempre mais. Espero que meus alunos tenham esta
flexibilidade e que tenham a capacidade de mudar e evoluir comigo.
10. Como você vê o futuro do Aikido no mundo tanto no nível técnico como espiritual?
Miyamoto Tsuruzo: Ao expandir se tanto, já que o Aikido tem uma difusão grande, é óbvio que a qualidade vai “ladeira abaixo”.
Cabe aos Mestres deixar uma diretriz clara para evitar que o Aikido se dilua.
O tempo atual e o tempo em que o Aikido
foi criado são muito diferentes em vários níveis e também no nível
espiritual. O modo de vida é muito diferente, antes trabalhava-se
principalmente com as mãos (o campo, os artesãos, etc ..) agora tudo é
mecanizado.
Por mais que a sociedade mude as idéias, os preceitos de O’Sensei não devem mudar, mas a técnica pode mudar e evoluir.
11. Você já pensou em alguma vez no futuro se mudar para outro país para ensinar Aikido, como fizeram outros shihan?
Miyamoto Tsuruzo: Já não posso, já não tenho idade …. É muito tarde.
Miyamoto Tsuruzo: Já não posso, já não tenho idade …. É muito tarde.
Shibata Sensei tinha 40 anos quando
foi para os EUA eu admiro esta decisão. Decidir ir para o exterior,
geralmente é antes dos 30 anos.
E como um pintor, cozinheiro, etc …
que busca a evolução pessoal. Sempre tentar estar na vanguarda,
trabalhando a si mesmo, esforçando-se.
Quando você diz de coração as coisas
mais simples, como: olá, obrigado, onegaishimasu, etc … isto é o mais
importante, o mais simples, o mais cotidiano é o mais difícil.
Se você não sabe fazer bem Ikkyo você não se torna uma pessoa completa.
Estas são as pessoas que realmente avançam, aqueles com algo interno, uma disposição, o desenvolvimento interno.
Se o Aikido (pelo menos) ajudar no desenvolvimento pessoal eu acho que ele terá cumprido a sua missão.
13. Qual é a sua experiência, quando ensinou na Europa e particularmente em Barcelona?
Miyamoto Tsuruzo: Estou muito satisfeito com a minha experiência na Europa e gostei muito de ensinar em Barcelona.
Acreditamos que Miyamoto Sensei sentia a necessidade de transmitir uma mensagem e queria concluir com estas palavras:
Há muitas coisas que você pode fazer
em vez de pagar para suar. “risos”. O suor e o esforço são muito
importantes, passando por técnicas baseadas em sua força de trabalho.
É claro que ler para aprender é importante, mas a parte física é mais importante.
Na sociedade em que vivemos, onde
tudo é fabricado há como um retorno ao esforço físico, ao suar, ao fazer
algo com as mãos para o desenvolvimento do indivíduo. Agora há mais
necessidade do que nunca.
É verdade que às vezes custa ir ao
dojo, se está cansado, chovendo, etc… mas você deve ter disciplina. A
verdade é que ao sair do treino satisfeito, querendo voltar a sensação
de voltar é fantástica.
Todas as Artes Marciais são
extraordinárias, mas talvez o Aikido, dependendo de como se faz a
prática, pode ser ainda mais extraordinário.
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